
Numa freguesia rural como a Carregueira, com os seus pomares e as suas hortas, é natural que o meio de transporte que dominou o inicio do séc. XX fosse o burro pachorrento, trabalhador e esforçado.
Animal de trabalho, companheiro de muitas horas, o burro foi, também, meio de transporte privilegiado para aqueles que demandavam os campos para aí trabalharem, sendo, no regresso a casa, "burro de carga" para uvas, batatas e muitos outros produtos que trazia no seirão. Mas este barato meio de transporte não tinha descanso: enquanto os seus proprietários amanhavam as terras, ele aproveitava as suas horas vagas para, num rodopiar sem fim, tirar água à nora, para refrescar os campos e as culturas. Como se não bastasse, o asno era ainda um excelente colaborador, pois ele produzia um dos mais conhecidos e um dos melhores fertilizantes: o estrume.
Na localidade, à falta de água canalizada, este animal servia muitas vezes para transportar cântaros com o precioso liquido da Mãe d'Água para os lares dos seus donos e, como animal para todo o serviço, era ainda ele que carregava a lenha que se ia buscar ao mato e à charneca. Cântaros, lenha e cereais eram transportados pelos burros em cima das cangalhas (espécie de suporte de madeira que era colocado em cima do animal).
É evidente que, numa freguesia como esta, onde a pequena propriedade impera e onde os terrenos são bastante arenosos, o burro era realmente o meio de transporte predominante e cada família possuía em regra 2 a 3.
Havia, no entanto, outros animais que contribuíam, com o seu esforço, no árduo trabalho dos homens e das mulheres da nossa freguesia. Era vulgar encontrarem-se mulas e bois, embora em menor escala, que puxavam principalmente carros e carroças cujas rodas de madeira eram reforçadas com aros de ferro, e que deixavam as suas marcas no chão rico e empoeirado desta terra. O cavalo, esse normalmente propriedade de alguma família mais abastada, puxava a charrete quando aquela se deslocava à vila, às festas ou mesmo ao médico.
Numa planície atravessada pelo rio compreende-se que o barco seja outro dos meios de transporte mais utilizados no século passado e determinante no desenvolvimento comercial desta região.
Até aos anos quarenta, barcos de grande calado, transportavam, pelas águas do Tejo, cortiça, cal (que vinha de Abrantes), madeiras e outros materiais. Na Carregueira, até aos anos 60 e 70, os produtos agrícolas eram escoados por barcos, pela Labruja e pela Cardiga, para os mercados do Entroncamento e da Barquinha. Também por barco se passava para ir ao notário ou trabalhar nos caminhos de ferro e quintas abastadas.
No Arripiado o barco transportava as pessoas que iam trabalhar nos lagares e nas searas da margem direita. O batelão serviu, na segunda metade do século, para transportar carros e outros veículos de margem para margem.
Estas travessias em período de Inverno estavam sempre condicionadas pelas inundações que, se eram impeditivo de trocas comerciais, eram ao mesmo tempo sinal de riqueza de produção nos anos que lhes sucediam.
O progresso trouxe então a bicicleta a pedais e a bicicleta a motor.

LOCOMÓVEL
No princípio, era a força humana, a força pura, simples e bruta. No princípio, a noção de transporte, de transporte de mercadorias e de pessoas, estava na razão directa da força muscular humana. O homem ou arrastava ou empurrava ou carregava o que pretendia deslocar ou transportar.
Com a descoberta da roda há cerca de cinco mil anos, o homem ficou com a situação mais facilitada, mas o condicionamento do relevo natural, leva-o a recorrer, após a domesticação, à força animal, boi, burro, cavalo, cão, camelo, etc., são utilizados nos vários trabalhos. Surgem as redes viárias, mas tudo continua limitado. Com a revolução Industrial, dão-se os primeiros passos na evolução da locomotiva, aliada à caldeira a vapor, cujas origens remontavam à chamada “Marmita de Papim”, e os cépticos acabam por convencer das potencialidades da máquina a vapor e a via onde se deslocava permite ao homem viajar pela primeira vez a uma velocidade superior à velocidade do cavalo. Com a agricultura verifica-se o mesmo fenómeno, a força animal não é suficiente, a evolução da máquina minimiza o esforço humano, facilitando trabalho agrícola, sendo a locomóvel um passo importante no processo, na ecónomia e na celeridade dos trabalhos agrícolas e outros.
Breve História
A locomóvel é uma máquina motora montada sobre rodas, destinada a accionar certas máquinas operadoras e facilmente deslocável. As locomóveis não se movem pelos seus próprios meios, têm um jogo dianteiro com dispositivo de lança, varais, ou outro, onde se atrelam os animais ou tractores. No caso de o motor fazer o deslocamento do veículo, são então conhecidas por "Caminhadeiras" ou "Locomotivas de Estrada". O tipo clássico é constituído por uma máquina de vapor e respectiva caldeira, esta de tubos de fumo e fornalha interior, aquela de cilindro horizontal colocado sobre a caldeira. Modernamente constroem-se também com motores a gasolina ou óleos pesados, mais vulgarmente com estes últimos. As locomóveis eram empregues sempre que havia necessidade de ter uma máquina motora facilmente deslocável, como nos trabalhos agrícolas, sendo a debulha que o mais a utilizava, e também em trabalhos de construção civil, em que os estaleiros tinham que ser frequentemente mudados de local. A evolução tecnológica levou ao abandono deste tipo máquinas, sendo consideradas nos nossos dias, verdadeiras peças de museu. Os herdeiros de Pedro Vaz Gomes, fizeram oferta à Junta de Freguesia da Carregueira, da Locomóvel que durante décadas esta casa Agrícola utilizou e que foi registada em Inglaterra pela firma Robej e C.ª, Lda., sob o n.º 3553 P.B. em 31 de Maio de 1938, foi importada para Portugal pela firma Monteiro Gomes Limitada, com sede em Lisboa.






